Dispersos ou multifocados?

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A exposição constante a uma variedade simultânea de informação torna as pessoas mais dispersas ou amplia a capacidade de responder muitas tarefas ao mesmo tempo? “Pode-se dizer que hoje há uma ”desatenção atenta” provocada pela união desses meios”, aponta José Leon Crochík, professor do departamento de Psicologia da Aprendizagem e do Desenvolvimento e da Personalidade do Instituto de Psicologia da USP. “É uma geração dispersa, mas todos os estímulos dão mensagens similares e, portanto, são fixadas em nossa memória.” De tanto ver uma mesma mensagem, a pessoa acaba assimilando a informação, de forma que a repetição compensa a dispersão. O problema, para o professor, é que ela não permite o aprofundamento necessário para a compreensão dessa informação.

Leon lembra que a preocupação com o excesso de estímulos não é nova – Charles Baudelaire, autor de As flores do mal, já registrava esse fenômeno na Paris do século 19. No entanto, acrescenta o professor, o aumento constante desses estímulos pede por novas formas de recepção que são cada vez mais superficiais e sem relação com a vida e os desejos das pessoas. “O apressamento da vida que solicita tarefas sem fim faz com que não tenhamos tempo para o que nos faz sentido”, diz. A sensação final é a de irritação, de que tudo é feito pela metade, de que não deixa nenhuma marca e que o tempo investido naquela tarefa foi em vão.

Também não é novidade que as tecnologias seduzem gerações e gerações com suas novas narrativas, multilinguagens e multitelas. Foi assim com o cinema, com a TV e agora com a internet. “As tecnologias móveis multiplicam possibilidades e distrações num nível nunca antes experimentado, e não só nas crianças, nos adultos também”, destaca José Moran, professor aposentado da USP. Nesse panorama onde tudo é cada vez mais rápido e fluido, fica difícil fazer com que essa nova geração aprenda como quer a escola tradicional: com um assunto de cada vez, que vai sendo aprofundado por etapas. “É muito difícil concentrar-se em algo mais abstrato, mais distante desse imediatismo e, principalmente, se as crianças e jovens não percebem uma utilidade imediata em suas vidas”, reforça Moran.

Fonte: http://www.revistaeducacao.com.br/a-geracao-de-alice/ 

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